Início | Noticias | MTUR cancela sexta edição do Salão de Turismo – Roteiros do Brasil
 
MTUR cancela sexta edição do Salão de Turismo – Roteiros do Brasil PDF Imprimir E-mail
Sex, 03 de Fevereiro de 2012 17:09
Ricardo Moesch, diretor do Departamento de Estruturação do Ministério do Turismo acaba de confirmar durante a primeira reunião do ano do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo (Fornatur), que acontece em Brasília, que o Salão do Turismo Roteiros do Brasil que seria realizado em julho, em São Paulo, não ocorrerá mais este ano. "Está confirmado. Não teremos o Salão porque é um ano eleitoral, além da Rio+20 e não haverá tempo hábil para a realização do mesmo", informou. Moesch confirmou que o evento volta a ser realizado normalmente em 2013 em data a ser definida.

O fator que pesou mesmo para o cancelamento foi a decisão da presidente Dilma Rousseff de convocar o MTur para realizar ações no Rio de Janeiro em junho, durate a Rio+20 destacando temas voltados para a sustentabilidade. Segundo Isabel Barnasque, coordenadora do Salão, seria impossível realizar as duas ações em tão curto espaço de tempo. "Seria impossível preparar estes dois eventos e a presidenta Dilma Rousseff nos pediu prioridade para a Rio+20", destacou ela.

A secretaria Nacional de Políticas de Turismo, Bel Mesquita, confirmou que até o final de abril estará lançando o edital do Salão de Turismo de 2013. "Não sabemos se ele será mantido em julho. Posso garantir que a interrupção do evento não irá prejudicar o Programa de Regionalização do Turismo, pois as ações terão continuidade", adiantou.Segundo ela o modelo do Salão vai mudar e para isso haverá uma discussão com os estados. Ela confirmou que a ideia do MTur será realizar o Salão apenas de dois em dois anos. "Nos anos alternativos vamos discutir a criação de um outro evento como vai acontecer este ano com a Rio + 20", adiantou. (fonte: ascom MTur).

Opinião do FRONTDESK

José Justo

O salão não fará falta e ainda poderá sobrar algum recurso para potencializar a promoção em eventos que realmente interesse ao país, aos destinos e ao negócio.

O encerramento deste ciclo do evento que durou apenas cinco anos pode estar sinalizando o rumo que o governo pretende dar ao Brasil como um todo. Desde a privatização da extração do petróleo, a geração de energia, a concessão de estradas e recentemente dos aeroportos, os quais também ficarão as mãos das concessionárias de rodovias, pela que se observa na lista das empresas habilitados no edital.

Com o fim do Salão, apaga-se o último vestígio dos pioneiros que criaram o Ministério no longínquo 2003, uma vez que o MTur já havia dado muitas demonstrações que a regionalização também era uma peça do passado.

Pelas ações atuais, o ministério não tem razão de existir. Se ele, em quase dez anos não aumentou o número de visitantes estrangeiros, não engordou as divisas, nem equilibrou o saldo da balança de entrada e saída, não implantou uma cultura turística nacional e sempre andou pelo res do vento da política e da economia, mas, mesmo assim, sem atingir os mesmo indicadores desta ou daquela, restou-lhe ser um bom parceiro na bacia dos escândalos. Ou já nos esquecemos dos imbróglios do ano passado?

O FRONTDESK gostaria de ser desmentido, mas, o desmonte do ministério tem sido uma ação contínua, seja pela sua desautorização de participar dos grandes acontecimentos nacionais, seja pelo seu uso exacerbado como barriga de aluguel para o “lobbi do saque”, seja por suas fragilidades detectadas pela CGU na operação VOUCHER, seja ainda pela inanição dos atores do outro lado do balcão que deveriam atender pela alcunha de trade com significado de “negócio” e não como a segunda definição de “escambo”, ao trocar suas rubricas e a representatividade de cada um pelo mulismo de ser barriga de aluguel de todo quanto e tipo de operação carente de explicação.

É incrível que a cultura processual do governo não vai detectar a tempo a quantidade de escândalos que está sendo gestado na barriga deste ministério, com mais de dois bilhões de ovinhos de serpente que espocarão ali pelo mês de setembro de 2012. Funciona assim: durante as campanhas políticas, centenas de candidatos a deputado federal e senador da república correm o país em suas pregações patrióticas em busca de votos e promessas de criar leis e revirar mundos e fundos para resolver os problemas da educação, da saúde, da agricultura, do aquecimento global, da salvação dos índios da erradicação do craque, na humanização das cidades, na erradicação da violência no campo, da moradia e dos transportes. Sem falar na moralização e na democratização definitiva do Brasil zil zil. Nem uma frase, palavra ou ditongo que seja sobre TURISMO. Quando chega na hora do orçamento, o turismo bate recordes de emendas parlamentares. Não é preciso ser PhD em nada para saber que isso não é normal. Mas, pelo visto, o segmento do turismo vive em um circo de ilusionismo que acha isso maravilhoso ou pelo menos, ninguém berra.

O Salão de turismo foi contestado por alguns dos antigos gestores do turismo nacional, os mesmos que nos legaram números vergonhosos de turistas estrangeiros e agora voltam ao prelo para fazer desaparecer o que foi feito pela equipe de Eduardo Sanovicz e Milton Zuanazzi.

Esta decisão de cancelar o evento público do turismo, vai na contra-mão do reconhecimento da profissão dos turismólogos, ocorrida no último mês de janeiro.

Para alguns organizadores de eventos, o salão já vai tarde, pois ele apenas servia para saturar o mercado de feiras de turismo, que hoje conta, alem de 21 pequenas feiras localizadas,  com tres mega feiras: o Workshop CVC, o Festival de Turismo de Gramado e a Feira das Américas. Destes, dois são totalmente privados e um é tocado pela ABAV - Associação Brasileira de Agentes de Viagens.

Ouvi um argumento que o salão era um investimento em Turismo Receptivo. Mas, pensando bem, só quem “recebia” era São Paulo, pois os demais estavam lá vendendo seus destinos para os paulistas, unanimidade quando se fala em captar clientes para o turismo nosso de cada dia.

Pode ser bom para a saúde do negócio este desaparecimento, pois, se o governo aplicasse a verba do salão em forma de promoção, o turismo nacional chegaria a muito mais pessoas que tem chegado, se formos olhar pelos relatórios de visitas do salão. Nas edições anteriores, cada uma delas chegou perto de cem mil pessoas atingidas, com um gasto desconhecido, mas, que se estima em torno de 150 milhões de reais diretamente aplicado pelo governo federal via MTur. Se contarmos que a revoada de autoridades estaduais e municipais é digna de nota, com governadores, deputados, prefeitos, secretários e barnabés, os quais também viajam, se hospedam, se deslocam e se alimentam com verbas do erário, para mostrar o Brasil para este pequeno público, significa na linguagem dos propagandeiros, que o custo por mil (CPM) é muito alto.

Front Desk é um boletim informativo com assuntos de interesse da Cadeia Produtiva do Turismo do Sul do Brasil, enviado para 21.500 endereços.
Política de publicação: Front Desk não é remunerado para emitir este tipo de mensagem.
Envie-nos sua opinião ou informação para o e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.   
Editores: Renato Brenol Andrade & José Justo (54 9914 3117)
 

Apoio

Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Joomla Templates by Joomlashack