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Na década de noventa do século passado havia uma discussão sobre a localização do aeroporto regional do litoral norte gaucho. Em 1996, em pesquisa realizada nas principais cidades daquela região, o Escritório de Turismo S Lodi detectou a opinião conflitante sobre a localização do mesmo. As quatro principais cidades reivindicavam sua instalação, sendo pela ordem, Osório e Tramandaí (consideradas muito perto da capital para isso), Capão da Canoa e Torres. Alguns empresário de Tramandaí argumentavam em seus formulários de respostas que “Torres é muito perto de Santa Catarina, e servirá apenas para que os argentinos venham até torres de avião e atravessem a fronteira para ir para as belas praias mais o norte”. Sua preferência era, por óbvio, que o aeroporto fosse construído em Capão da Canoa, distante 40 quilômetro ao norte e a mesma distância ao sul de Torres.
Por injunções políticas, o aeroporto foi construído em Torres.
Por alguns anos a obra transcorreu sem percalços, com um embate razoável sobre as responsabilidades de cada parte, sendo que havia uma concertação tripartite, entre os empresários do turismo reunidos no Sindicato da Hotelaria, a Prefeitura e o Estado. Ao fim e ao cabo, o estado bancou a obra e a infra-estrutura, porem, o mercado não respondeu aos anseios das comunidades a ser beneficiadas e não ocorreu a operação comercial simplesmente por não haver interesse das empresas, as quais não tinham passageiros interessados em pousar ali.
Isso não é uma novidade, pois, ao longo do tempo os planejadores já determinaram um aspecto interessante da geografia gaucha: apenas duas cidades no estado tem viabilidade para transporte aéreo de médio e grande porte: Porto Alegre e Caxias do Sul. Das demais 494 matriculas municipais que chamamos de cidade, dezesseis tem acima de 100 mil habitantes e 230 tem menos de cinco mil habitantes. Para viabilizar uma operação aérea, as cidades precisam garantir assentos que sustentem a operação e a aviação ainda não chegoiu ao nível de barateamento que seja possível uma operação deste nível.
A NHT, empresa de nível regional, braço aéreo do grupo JMT que controla a Planalto, uma das maiores empresas de ônibus do Rio Grande do Sul, tem se mantido por cinco anos em operações com aviões de pequeno porte – 19 passageiros e em mesmo assim, já encerrou operação em algumas cidade que não conseguem sustentar os vôos. Santana do Livramento, Erechim e Horizontina sabem bem o que significa suspender vôos por falta de passageiros mesmo em pequenos aviões. Sant Maria, Caxias do Sul e Uruguaiana um dia receberam aviões de grande porte, mas isso foi em um tempo onde o aparato estatal sustentava o prejuízo, mesmo assim, as empresas que cometeram estas aventuras, não estão aí para contar o case. Desapareceram.
AEROPORTO DE TORRES Em 2011 o aeroporto regional da cidade respirou e deixou de ser uma instalação fantasma – que muitos classificavam como desperdício de dinheiro público – e passou a ser instrumento de desenvolvimento do Litoral Gaucho.
Além da Escola de Pilotos prestes a iniciar operação e dar vida definitiva ao terminal, desde o ano passado o aeroporto passou a ser utilizado por escola de paraquedismo, eventos de shows aéreos, transporte de cargas em suporte ao aeroporto de Porto Alegre, recebeu centenas de pousos e decolagens de particulares, e recentemente entrou para o jetset: recebeu o avião do ex-piloto de fórmula um Nelson Piquet e um jato do governo federal que trouxe a Ministra Maria do Rosário para participar de um evento na cidade.
Keneddy Seger, ativo político da cidade e articulador de rara habilidade, pretende fazer com que o aeroporto troque de imagem: “vamos provar que este aeroporto é útil e trará desenvolvimento para a cidade e para a região através da operação de cargas, da escola, de eventos e, em um futuro próximo, poderemos ter voos fretados para turistas com destino a nossas praias”. Por sua dinâmica pessoal, Kennedy poderá ter sucesso, dependendo do apoio que Le receber da comunidade e do estado. Pelas premissas que amanam da administração estadual, isto poder[á tornar-se realidade.
FALÉSIAS
A cidade de Torres, no extremo leste do Rio Grande do Sul, na divisa de Santa Catarina, possui um dos maiores atrativos do sul do Brasil, que são as falésias, que justificam o nome da cidade, alem de estar a apenas 35 km do Cânion do Itaibezinho, alem de belas praias. Em 2010, a cidade ganhou pista expressa quádrupla ligando-a a capital, Porto Alegre
Localizada em posição privilegiada Pista de pouso, estrada expressa e mar. Alemd e estar a menos de 300 km de Florianópolis, e menos de 200 km de Porto Alegre ou Caxias do Sul, fazem de Torres um atrativod e logística pronto para ser explorado.
Mesmo assim, nem tudo são flores em Torres. Segundo um empresário local, a cidade ganhou acessos e, em vez de atrair empresas, construiu condomínios e loteamentos, descaracterizando-a como berço para a indústria modal ou para o turismo, tornando-se um reduto da “segunda casa”, de muitas famílias de outras cidades do estado, alem de atrair moradores ociosos (aposentados) ao invés de atrair mão de obra produtiva que gerariam riqueza na comunidade. “A decadência no turismo pode ser vista no fato de que nos últimos dez anos foram fechados mais de um hotel por ano e não foi construído nenhum novo equipamento”, conclui.
Sobre essa opinião, Carlos Lange, empresário da cidade, explica: “isso é reflexo de uma estratégia confusa de desenvolvimento que vai na contra-mão da tendência do mundo, enquanto Gramado, Porto Alegre e Bento Gonçalves inauguram juntos, um hotel por mês, o litoral norte não produziu um sequer e ao mesmo tempo, desde que inaugurou o aeroporto, não houve nenhuma evolução, meso a cidade contando com núcleo universitário e equipamentos para eventos, nenhuma ação foi feita para reduzir os efeitos da sazonalidade, deixando a cidade ociosa em 80% do tempo ao correr de cada ano”.
Comentário do Editor: Isto realmente é um mistério: a cidade ganhou infra-estrutura de aceso em forma de estrada e aeroporto, que são o desejo de dez em cada dez prefeitos em qualquer lugar do mundo e a economia reflui, o turismo definha e não surgem distritos industriais ou leis de incentivo. Ouvimos de um influente "pensador" da cidade que ”a BR 101 duplicada vai levar para Santa Catarina nossos turistas, pois vai encurtar o tempo de ida para as belas praias de lá. Alem disso, vai fazer com que os argentinos passem direto”. Não dá para entender. Pelo menos dentro da lógica normal e do sendo comum. Ele em nenhum momento citará que as mesmas estradas que levam, tambem podem trazer.
Em conversas informais na praia da cidade, notamos uma fuga de cérebros nativos da cidade, com a perdad e jopvens que se formam e partem em busca de oportunidades que a cidade insiste e se esforça em não criar, prreferindo a gestão clientelista de se auto gerir usando a mentalidade e o marketing da miséria, prática que ha muito tempo foi abandonado até mesmo pelas cidades do nordeste brasileiro., de “passar o pires” buscando verbas em Brasília, destinadas a programas voltados a carência.
A perspectiva é macabra a curto prazo, pois o abandono do foco no turismo e a concentração no desenvolvimento da idéia de estação de verão, transofrmará a cidade em um acampamento de verão, apenas, não deixando que se frutifique outras atividades, depreciando a mão de obra e envelhecendo a população. Não é por acaso que a região é a mais pobre dentre as 11 que formam o estado.
A foto das falésias de Torres é de Germano Schüür
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