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Qua, 14 de Dezembro de 2011 00:37 |
Desde que eu me entendo por gente dentro da hotelaria, o mote mais utilizado pelos perguntadores de congressos e participantes de jantares e almoços, são - talvez não por ordem de importância, mas, certamente por ordem de aparição: - a falta de prestígio político do turismo brasileiro,
- a falta de representatividade no congresso,
- a falta de verbas para o turismo.
- a falta de conhecimento do assunto do ministro de plantão
A falta de assunto mais ameno, ou falta de variedade, faz com que estes vociferantes se tornem chatos e desacreditados, “uns chorões”, ouvi outro dia de um funcionário público de alto coturno dentro do turismo nacional. Ele também um alto conhecedor do turismo de estado, ou de governo, pois vai governo vem governo, ele sempre está em um cargo reluzente, de resultado nem tanto. De tanto ouvi, acabei acreditando que turismo realmente - não tem importância,
- não te poder
- não tem verba.
- não tem representante no congresso
O Ministério do Turismo é tão pouco importante que a escolha do seu titular é feita "na bacia das almas", no "apagar das luzes", ou na "xepa da feira". Ninguém quer, ou quem quer, não pode e quem pode, não quer. Mas, na última semana, as noticias deram um alerta que me encafifou: o Ministério do Turismo foi que teve mais números de emendas parlamentares para o ORÇAMENTO do ano que vem. A CGU, o TCU, a AGU, o NSLQ, ou a VEJA deveriam intervir antes da “porta arrombada”, pois, sem prestigio o MTur consegue aumentar sua verba via emenda parlamentar de forma arrasadora.
Ora! Se o turismo não tem deputado, tem tanto “não tem”, como é que ele consegue tanta emenda? Depois, estas siglas todas, começam a investigar e fazer fofoca, derrubam diretores, prendem (e soltam) funcionários e o turismo fica arrasado, por perder verbas via contingenciamento ou via portarias defenestrantes.
Ora de novo! Se o turismo não tem representantes no congresso, não consegue alavancar projetos que realmente o façam ser importante naquilo que ele deveria cuidar que é o ato de trazer turistas de fora do país, para gerar divisas, como ter tanto dinheiro vindo de quem nem sabe o que é turismo? Aí, noto que é engraçado o fato de haver uma concentração nebulina de projetos nas áreas de comprovação do gasto mais etéreas que conhecemos: - eventos,
- qualificação e
- impressos
(Nem meia linha sobre buscar turistas).
O que ocorre no turismo hoje, já ocorreu em ministérios vários, com certa insistência nos ministérios novos, ou nos ministérios onde a atuação é bastante ampla. Nem precisaria ser um expert do CSI para detectar a existência de uma nuvem de gafanhotos que vai de ministério em ministério colocando projetos, pelas mãos de deputados, com suas emendas para sacar verbas do erário e gastar em seus projetos que vão “salvar o setor tal”.
Vimos isso na agricultura, na energia, na saúde, na educação, nas cidades e agora estamos vendo no turismo e veremos na cultura... Em 2010, em pleno festival de turismo ouvi um lobista que foi a Gramado para “ensinar” como conseguir verbas do governo, comentar candidamente, ao ser questionado sobre o fato de o governo ter proibido via LDO, a “emendação” para eventos de turismo no orçamento de 2011: “é fácil, entramos pela cultura”, disse ele.
Deu no que deu: ele entrou pela cultura, e nós entramos pelo cano. Basta ver o número de escândalos que vivemos neste ano véspera do fim do mundo do calendário maia. Agora, eu não deveria me surpreender ao ler a peça que está no site do governo na rubrica “orçamento dos ministérios”, onde o nosso enjeitado e rejeitado Ministério do Turismo teve seu orçamento inicial inflado em R$ 1,32 bilhão por 680 emendas individuais, saltando de R$ 795,8 milhões para R$ 2,11 bilhões.
Cinco pontes do Guaíba! (superfaturadas!)
Alguém pode me admoestar, dizendo que isto é orçamento, que a Presidenta da República poderá congelar ou cortar, “emenda não é garantia de aprovação”,. ouvi de um deputado nos confins deste sertão, falando para uma diminuta platéia de ávidos (ou seriam inocentes úteis?) futuros beneficiários de uma verba para construir um pórtico. E ele continuou antes das palmas: “mas, vou lutar até a última gota de sangue para conseguir esta importante obra para o nosso querido município que tanto carece deste pórtico, para alavancar o turismo e dar mais visibilidade para nossa sofrida cidade”. Palmas!
Bati um pouco de palmas e fiquei pensando: Meus Dells! Dá a impressão que ele não sabe o que é um "pórtico", muito menos o que é "turismo" ou mesmo cometi o pecado de pensar que ele também não sabe o que é "sofrimento". Mas, gostei da referência a gotas de sangue: me lembrou "sanguessugas".
O orçamento federal realmente é uma "farra do boi": cada deputado pode emendar 15 milhões de reais. Multiplica isso por pouco mais de quinhentos (numero de deputados), que temos aí um bolo de dinheiro de dar inveja ao rei do universo, não, ao rei do multiverso... E nós aqui, no subverso do turismo, preocupados com turistas, hóspedes... E com a COPA!
Não precisa nem ser profundo. Se o governo buscar na superfície destas atitudes de emendar para o turismo, verá algo errado em tanto dinheiro que dá tres orçamentos do MALAWI, só para buscar um público estrangeiro (divisas) menor que o grupo de torcedores do Santos em Yokohama, no Japão, para torcer pelo Neymar. E mesmo assim, não vem ninguém a mais desde o tempo do... Color!
Ou o governo é maquiavélico ao fazer de conta que não percebe, ou o turismo do Brasil (personificado em seus gestores públicos) é parvo o suficiente que aceita ser massa de manobras das mais desavergonhadas que alguém já viu sob o céu de anil desta terra varonil.
Do lado de cá do balcão, não falamos nada, com medo de alguma coisa. “Pois, pode ser que eu perca a sobra da migalha que vai pingar para a minha consultoriazinha", choraminga o pobre professor que criou um empresa Gaspariana para dar notas fiscais.
Há alguns dias, após uma estabanada atitude de um gestor público, soltei uma nota indignada e ouvi de uma senhora, que desempenha um múltiplo papel de gestora de verbas públicas, coordenadora de um projeto e esposa de um dirigente de OSCIP, que “é melhor ficar quieto, fingir que não é com a gente, pois, eles podem vir aqui e começar a investigar outras coisas”, saltei da cadeira: “Aos inocente é dado o direito à indignação, já dizia um filósofo Grego há mais de dois mil anos” gritei deseducadamente no saguão do hotel de luxo onde estávamos. “Grosso!”, foi a resposta de madame, que entrou no seu carro de 300 mil reais e saiu suavemente pela avenida. Acho que ela também está indignada com o governo!
Tem algo muito errado nestas emendas. Temos que reagir. Ou então somos todos ladrões e a diferença entre nós e esta corja, é que não temos tido a oportunidade de participar desta festa. Pois não?
Vade retro! (Retro escavadeiras para fazer pórticos, tão úteis para justificar as emendas dos nobres deputados, para depois eles ainda serem ofendidos por escribas insones, que não conseguiram patrocínio do governo para seus bloguinhos. Humpf!)
José Jsuto é Editor do Frontdesk
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