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"Em termos de hotelaria já temos o exigido; dependemos da infraestrutura” PDF Imprimir E-mail
Sex, 11 de Junho de 2010 01:56
José Reinaldo Ritter, tem um grande desafio pela frente: mobilizar a rede hoteleira do Rio Grande do Sul para as oportunidades que a Copa de 2014 possibilitará. Nessa entrevista exclusiva concedida à Revista da Costa Doce, ele critica o ritmo lento com que o Poder Público vem tratando do tema, principalmente no que se refere à qualificação da infraestrutura, e sugere ações que permitam fortalecer o Brasil como sede do evento maior do futebol mundial. Segundo Ritter, a rede hoteleira do RS tem estrutura suficiente, mas a qualificação de mão-de-obra é algo que se faz necessário.

Como o Rio Grande do Sul está se preparando para a Copa do Mundo de 2014? 

“O Rio Grande do Sul está criando uma expectativa muito grande para a Copa de 2014, só que as coisas estão andando a passos lentos. De qualquer maneira, em termos de hotelaria, já temos o mínimo de dois mil apartamentos que são exigidos pela FIFA. Os contratos já estão assinados. Agora, estamos na dependência da infraestrutura, da obra do estádio Beira-Rio, e também da possibilidade de construção da Arena do Grêmio. Isso acontecendo, fará com que o Rio Grande do Sul seja uma das sedes principais da Copa do Mundo. Nosso esforço é nesse sentido. Em termos de hotelaria estamos muito bem adequados”.

Essa lentidão em outros setores ocorre por quê?

“Principalmente porque é um ano de eleição. Tudo o que envolve obras urbanas, mobilidade e infraestrutura da cidade está atrasado. Nosso aeroporto tem que receber melhor, mas já se sabe que isso só ocorrerá a partir de 2013. É um absurdo. Já era para estar funcionando adequadamente agora. Por deficiência nos equipamentos, os pousos e decolagens podem ser prejudicados com uma simples neblina ou chuva. Existe também a condição da ampliação da pista para receber aviões de grande porte, sendo necessária a desapropriação de uma área para construção. Tudo isso está se movendo, mas a passos lentos. Eu diria que, em outras situações, exceto essa questão do aeroporto, os atrasos são em função da eleição, ninguém quer se comprometer. Acredito que após esse período essas questões serão atacadas com mais vigor”.

Como a rede hoteleira do Estado está inserida nesse processo? Há leitos suficientes? Vocês pensam em qualificar ou ampliar essa rede?

“Há uma grande especulação nesse tema. Hotéis já estão sendo construídos em vários pontos da cidade. Temos hoje, em Porto Alegre, em torno de sete mil apartamentos. A exigência da FIFA é de dois mil. Temos o contrato assinado de três mil lugares, mais do que nos foi exigido. Fora isso, estão sendo construídos mais 1.500 apartamentos. Até a Copa estão previstos outros 500. Diria que chegaremos, somente em Porto Alegre, aos nove mil apartamentos até 2014. A Grande Porto Alegre tem cerca de dois mil apartamentos e num raio de 150 km temos as cidades de Caxias, Gramado, Canela e Tramandaí, no litoral norte. Assim, chegamos em mais de 18 mil quartos. Estamos muito bem supridos. Inclusive, nesses contratos com a FIFA já existem até alguns apartamentos de Gramado inclusos. A Serra Gaúcha está querendo se inserir nesse contexto da Copa”.

Quais os principais investimentos que seriam necessários na rede hoteleira?

“Existem várias linhas de crédito específicas. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) está oferecendo financiamento para hotéis direcionado à questão da Copa, para reformas e ampliação. Acho que a deficiência maior é na mão-de-obra qualificada: pessoas que tenham condições de falar uma língua estrangeira, por exemplo. Estamos nos empenhando e a ABIH-RS está fazendo um trabalho nesse sentido, para qualificar a cidade e todos os seus agentes receptivos: taxistas, recepcionistas, cobradores de ônibus e a própria polícia. Toda a cadeia turística envolvida precisa falar uma língua estrangeira, não só o espanhol, que a gente entende bem, ainda mais no Rio Grande do Sul, mas o inglês seria importante”.

Em termos turísticos, como o senhor avalia que o Estado poderá aproveitar esse evento da Copa?

“Temos que aproveitar o máximo possível, fazer com que o pessoal fique em Porto Alegre, na grande Porto Alegre. Que faça excursões para conhecer o interior gaúcho, conhecer o Pampa, a nossa Fronteira, a nossa Serra, o Vale dos Vinhedos, a nossa Costa Doce - a famosa Costa Doce da nossa Lagoa dos Patos, que tem um roteiro fantástico. Acredito que isso tem que ser bastante explorado também. Obviamente vamos ficar na dependência de que Porto Alegre seja uma sub-sede que receba equipes grandes. Nesse sentido, teremos de ter sorte também”.

O Ministério do Turismo está propondo uma nova classificação hoteleira, como o senhor vê a medida e que impacto ela teria no RS?

“Estamos analisando esse tema. Fizemos um seminário aqui no RS, em Porto Alegre, encerrando uma rodada de discussão que percorreu oito capitais brasileiras. Vamos retomar o assunto durante o Salão do Turismo, que acontece no final do mês de maio, de 26 a 30, em São Paulo. Nós, a princípio, estamos vendo com uma certa restrição essa classificação, mas, por outro lado, queremos que algo de diferente aconteça. Na realidade, a FIFA não está exigindo essa classificação, mas o próprio Ministério vê que precisamos de parâmetros. Acredito que seja uma medida adequada para todos, mas que não pode ser imposta, e o Ministério está aberto ao diálogo”.

Pelotas, Rio Grande e Guaíba buscam a inserção como subsedes da Copa. Como o senhor avalia a viabilidade desse pleito?

“Acho plenamente possível. Guaíba é praticamente parte da Grande Porto Alegre. Pelotas e Rio Grande seria um roteiro da Costa Doce que teríamos que aprontar, oferecer e nos mobilizar no sentido de mostrá-lo. Guaíba carece em hotelaria, e isso é um grande problema. Mas dispõe de campos de treinamento para pegar uma seleção na pré-Copa. Pelotas e Rio Grande eu já acho um pouco distante, mas tudo é possível, tudo depende de como serão ofertados. Acredito em todas as possibilidades”.

Regiões como a Costa Doce, que estão fora de Porto Alegre e da Região Metropolitana, como podem se inserir no processo?

“A estratégia seria mostrar a Costa Doce, dizer que existe a maior Lagoa terrestre, a maior laguna do mundo, ao que sei. Existe um roteiro bem interessante que passa por todas as cidades que estão dentro ou próximas à Lagoa: São Lourenço do Sul, Camaquã, Arambaré e outras. Acredito que um roteiro nesse sentido, de Porto Alegre até Pelotas e Rio Grande, pela Costa Doce, seria muito interessante. Não sei como está a questão de infraestrutura, em relação a estradas e outros aspectos importantes, o que é fundamental é se montar um roteiro e se vender como destino”.
 

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