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Qua, 21 de Julho de 2010 11:09
Meu cão de estimação 

Eu tenho um cão que me dá muita satisfação nos finais de semana, quando ficamos juntos e corremos pelos quarteirões de Gramado, principalmente nos dias de sol do inverno.

Ele tem uma pelagem que chama a atenção de todo mundo, os vizinhos o elogiam por ser tão alegre, os turistas querem fotografá-lo e ficam encantados ao saber que ele é manso e amigável. Ao encará-lo a primeira impressão é que ele poderia ser perigoso, não pela cara feia, mas, pelo tamanho.


Ele chegou até mim depois de vagar por muito tempo pelas ruas do bairro, abandonado por algum dono desalmado. Como minha casa não tinha muro ou cerca, ele ficou no meu porão por uns dias frios e após a gente ter algumas conversas – que pode-se chamar de diálogo, pois ele respondia com rosnares latidos e gestos que dava para perceber que estava entendendo tudo! – ele resolveu ficar e eu concordei.


Passado algum tempo, ele não me contou, mas, o antigo dono me disse que não o queria mais por ele ter algumas atitudes que faziam com que ele desistisse de ser seu amigo ou de usufruir de seus serviços de Guarda e Cia. “Ele era muito estabanado, latia demais, brincava nas horas erradas e queria ter luz própria, brigando com os outros cães dos meus amigos quando estes me visitavam”.


Através deste antigo dono descobri que meu cão havia passado por várias mãos sem se firmar em nenhuma casa, pois todos tinham a mesma impressão dele: “é lindo, competente, mas, não dá para tê-lo em casa, pois faz muito barulho, bate a cauda em tudo que esta no seu caminho e não sabe a hora de parar a brincadeira”.


Aqui em casa ele não cria problemas, porque eu descobri como lidar com ele, já que ele parece que nunca vai aprender como lidar com os bípedes não emplumados com polegar opositor. Não permito que ele entre dentro de casa e tambem não o tiro da coleira quando saímos a passear pela cidade. Ele parece que está feliz com isso, pois o porão é quentinho, a comida é farta e tem feito muito sucesso com sua imagem de disciplinado assessor especial que eu dei pra ele. “Meu assessor especial” falo para os amigos e parece que ele gostou do novo cargo, muito melhor que “bicho de estimação”.



Não posso culpá-lo de ter perdido tantos antigos donos por suas atitudes intempestivas, afinal, todos nós, metidos a humanos, tambem passamos por isso, as vezes, por não sabermos a hora de parar a brincadeira, ou de reconhecer nosso lugar, nossa posição ou nossos limites e, ainda mais importante, reconhecer a importância e os limites dos outros, perdemos oportunidades, amigos, empregos e até mesmo a própria família.

 

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