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José Justo
Um belo dia celestial o Senhor acordou e recebeu um e-mail da Federação Sistêmica Galática Divinal, dando conta que um povo estava precisando de abrigo: “um grande contingente de sem teto precisa se abrigar por algum tempo e gostaríamos que Vossa Divindade, como membro desta colenda associação intermundial ajudasse. O tempo urge a turma está na pior. Atenciosamente. FSG”, era o que dizia o e-mail. De forma clara a e sucinta significava em outras palavras: ou tu ajuda ou estamos ralado. O senhor chamou os seus arquitetos e engenheiros e deu a missão: “precisamos construir um abrigo pruma turma que vem aí”. O Briefing era o seguinte: “Dever ficar rodando no Sistema Solar da Galáxia e precisa caber bastante gente, pelo menos uns dez bilhões, deve ter água em abundância, lugar para plantar e energia, bastante energia, pois eles são muito fominhas”. “Caprichem, mas, não enrolem porque temos prazo, os financiamentos estão meio escassos, por causa do BIGBANG e o povo não pode esperar. Não precisa nada sofisticado, pois o público e exigente, mas, não terá opção, será uma obra a pedido do conselho intermundial e como nós estamos em dívida com eles, é bom não desagradar , portanto, o que eles oferecem de recursos é só isso”. Por último ainda foi motivador. “senhores, seus currículos estão a prova e darei uma grande bonificação se fizerem tudo no prazo e se tiver alguma qualidade”. Mandem Brasa!” O cronograma era o seguinte: encontros semanais para discutir o progresso dos trabalhos, até que se concluísse e pudesse receber os “sem terra”. Deixou a turma trabalhando e foi cuidar de seus outros afazeres, que eram bastante. Na primeira reunião deu briga: A turma era perfeccionista: tinha que ter água e terra, eles separaram a terra da água e o dito não equilibrava, não rodava e caia nas profundezas do universo e assim, perderam-se algum tempo discutindo. De tanto discutir, pensaram em fazer dois recintos: um com água e outro com terra... “nada disso, na hora de regar as plantas, vai dar muito trabalho pra buscar água, ainda outro sugeriu: faz plantação na água, quase apanhou. Outro ainda sugeriu, manda uns comer terra e outros comerem água, “panaca! Água não se come, se bebe ôôooo”: E a energia, gentemmm? “Bem, botamos um reator nuclear de alta potencia bem no meio aqui e ta feito o carreto”. “Nããão! Vai esquentar muito e é perigoso exzplodir....”. Teve até um que queria fazer o mundo quadrado, “pode até não rodar, mas que fica bonitinho, isso fica, fala verdade?”. Mais uma semana, outra reunião. Até a hora do coffee break o papo foi ameno, com alguns powerpoints, gráficos de projeções e um discurso sobre a origem do universo de fazer corar Stephen Hawking. O senhor então tomou a palavra e pediu: “senhores vamos seguir o briefing, sem perder de vista as leis universais da física sem muito o que inventar, mas, principalmente sem esquecer para quem é o produto e quem o está encomendando. Em outras palavras, “lembre-se de quem esta te pagando”. Nosso lema no marketing celestial deve ser: “O Cliente tem sempre razão” e o axioma a nortear o trabalho deve ser: “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. O povo quer comer, morar e se divertir e o investidor tem pressa pois precisa recuperar o investimento. Portanto, sebo nas canelas!” Mais uma semana passou, o marketing brigou com os arquitetos e os engenheiros: “vai sair caro demais”, ninguém vai querer”. Os arquitetos replicaram, "mas, se não for assim, vai ficar feio". Os engenheiros então, caíram de pau: “este troço vai desmoronar tudo se não fizer maior” e inventaram o “coeficiente de cagaço”. Mais brigas, mais cafezinhos umas tantas atas e o senhor se impacientou: “não precisa ser perfeito, basta que façam funcionar. Mais uma reunião, mais umas tres brigas e agora era a administração que estava reclamando: “estão gastando muito e estão desrespeitando o meio ambiente”. Entrou na briga o jurídico, “vai dar problema, temos que escolher o formato que não desrespeite nenhuma patente, mas, se der problema eu agravo”. O senhor de novo saiu frustrado da reunião com os seus mega técnicos. Ele havia chamado os marketeiros, os administradores e os advogados justamente porque os arquitetos e os engenheiros que estavam descontrolados na hora de gastar e reclamavam da burocracia de ter que pagar, receber, pedir, rubricar e desempacotar toda hora e não tinham tempo de criar ou calcular. Mas, agora, eles não fazem nem isso e brigam mais ainda. Nenhuma proposta nova, pelo menos eles pararam de propor absurdos e só ficavam reclamando uns dos outros e pondo defeito nas coisas uns dos outros. Mas, a obra não andava. O tempo passou, a brigaiada continuava, até que o Senhor recebeu um ultimato da Federação Sistemica Galática Divinal: - O povo ta vindo aí, o lugar ta pronto?, chagam semana que vem. - Ops!! Tenho um prazinho a mais? Pois a minha moçada se enrolou com o cronograma e...” - Nem mais um dia! O povo chega segunda que vem. Forte abraço. FSG “Caramba!”, pensou o senhor, como é que eu vou fazer? Estes incompetentes só pensam que sabem tudo e não conseguem fazer nada... Já sei. Vou fazer eu mesmo, senão me estrepo. Ficou nervoso, convocou uma reunião de emergência e demitiu todo mundo. Pegou no pesado e foi montando de qualquer jeito, juntou as terras e as águas e fez um bolo e testou se a coisa flutuava no ar. Deu certo. Percebeu que não ficou lá muito redondo, tinha uns bicos ali ou aqui, ficou meio achatado, com umas valas cheia de irregularidade, a temperatura não ficou distribuída igualmente, de vez em quando desbarrancava alguma coisa, explodia um buraco aqui ou ali e ele percebeu que não tinha energia, mas, que ventava muito e ele aproveitou e chegou a bolinha mais para perto do sol “se estes caras quiserem energia, que façam uns painéis pra aproveitar o calor do sol, ou que peguem energia do vento. E já que as águas não param quietas,eles que se virem para represar ou mesmo para usar o movimento para gerar energia”. E foi tocando, jogou umas sementes para que pudesse disfarçar as gretas nas pedras e já dava para habitar. Olhou meio de longe e tinha sobrado umas boas mãozadas de material, ele nem titubeou, jogou pro alto e disse, ta pronto! A bolinha ficou flutuando em volta do bolo de barro e até que ficou bonitinha lá em cima!
Sentou no netbook e disparou um arrobabol:
“Pode mandar o povo vir”.
“Fw_Só segunda feira, hoje ainda é sábado” era o que estava escrito na resposta.
Ele se admirou da própria obra: “fiz tudo isso em seis dias! Agora, vou tirar uma folga.”
Tudo bem que ele não tinha caprichado, que não tinha escrito o manual do usuário e que a turma iria demorar bastante pra descobrir como é que o planeta iria funciona, mas, ele estava cheio de orgulho na segunda feira quando chegou a hora da inauguração, com banda de música e tudo.
Ele chegou pro segurança da área vip e disse que iria assistir dali, o segurança consultou o mestre de cerimônias e este disse: “tu não conhece este senhor? Ele é o Supremo Arquiteto, fez tudo isso em seis dias e ontem não veio no ensaio de inauguração porque estava de folga, mas, ele deixou tudo pronto pra nós”.
E o senhor pensou: “pronto, pronto, não está, mas, depois eu vou dando as instruções aos poucos e faço um conserto aqui e outro ali, treino uns meninos pra ajudar na manutenção, mas, o importante é que este povo vai ter onde viver por um bom tempo”. Foi assim.
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