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José Justo
Dia 16 de agosto de 2011, quando o Internacional comemorou um ano da conquista do bi da América, Fabian Guedes, completou 31 anos com uma dezena de taças no armário, sendo que destas, metade são “internacionais” . Quase trezentas partidas e oito anos de clube, Bolívar é o apelido do zagueiro do Internacional e de um grande homem. Jovem para um zagueiro e jovem para qualquer profissão. Portanto, se ele estiver passando uma má fase na carreira, isto não significa que ele vai se aposentar logo. Tem pelo menos mais uns cinco anos de grande área, do lado de dento das quatro linhas.
Ha bastante tempo, eu fui ao Beira-Rio ver um jogo qualquer e fiquei observando o time adversário atacando impiedosamente e um sujeito de vermelho, grande e forte limpando a área, dando bordoadas, cabeceando correndo feito um possesso de encontro aos adversários, tomando-lhes a bola, dominando-a com uma habilidade jamais vista e despachando a mesma com uma força de Hércules. Toda vez que ele limpava uma bagunça na área do seu time, a sensação que ficava era a de um sujeito grande, mas, com coração de menino que tinha um prazer muito grande em dar aquele bagornaço na bola e mandando-a para bem longe. Dava para perceber alegria em sua atitude.
Para quem estava assistindo era a glória! O beque era a garantia de resultado, pois, se os atacantes não fizessem, do lado de cá tambem não entraria bolas no gol do seu time.
O tempo foi passando e ele foi levando o time para a frente junto com seus colegas. Ficou famosa a dupla que ele faz com o Índio, outra lenda da beira do lago.. Ficaram famosos seus trancaços na grande área e seus raids na pequena área (do adversário!). O tempo foi passando e um dia ele conseguiu aquele alvo que perseguem todos os grandes homens: foi CAMPEÃO. Seu maior título não pode ser escolhido entre tantos, mas, o maior deles foi um que parecia que era só seu: o Bicampeonato da América, era uma espécie de “coisa do capitão” uma vez que sua alcunha de General era uma alegoria com o heroi latino “General Simon Bolíver, o Libertador da América”.
E o segundo título veio no dia do seu aniversário, como um presente que ele se deu, ao mesmo tempo que, juntamente com o grande exercito escarlate, deram ao povo colorado. Mas, a vida não é só chegada, mas, tambem despedida. Em 2006 ganhou a primeira Taça Libertadores da América e, como os grandes heróis fazem nas lendas: saiu de fininho e foi morar no estrangeiro. Falando para uma rádio, ele disse que se pudesse ficaria e iria mais adiante, mas, futebol naquela época já não era um esporte, era apenas mais um negócio e ele era uma espécie de comoditie, que iria se transferir para outro time, como se manda um funcionário trocar de posto de trabalho ou de filial, ou mesmo quando um operário troca de emprego para ganhar mais. E La se foi o Bolívar, grande campeão.
O time foi em frente, ganhou mais um torneio internacional e ele chorou naquele dia em uma aprazível cidadezinha da costa mediterrânea. Segundo uma testemunha ocular da história, ele disse: “eu deveria estar lá”. Voltou para casa, reiniciou sua saga, virou lateral direito. Um dia um repórter perguntou para ele como era estar jogando fora da sua posição e ele respondeu calmamente, como sempre o fez: “mas eu estou jogando no lugar certo”, ao que o reporter insistiu que ele estava jogando de lateral direito e... “O lado certo é do lado de dentro das quatro linhas, minha posição é dentro do campo”. Uma resposta que mostrava a sua grandeza, sua destreza e seu despojo de estar participando, não interessava se no papel principal ou não.
Ele ganhou mais um punhado de taças e o tempo continuou passando e ele sempre presente. Tornou-se o nosso capitão, levantou mais uma meia dúzia de taças, inclusive a segunda libertadores e de repente, alguma coisa ou o tempo começou a incomodar.
O tempo passou como passa para tantos seres humanos, desde os atletas, até os cientistas, desde um simples trabalhador até o mais brilhante enxadrista. O tempo passa. Bolívar agora está sendo contestado por algumas pessoas sem memória e que se esqueceram do grande CAMPEÃO. Daqui cinco anos, com mais meia dúzia de títulos na coleção, ainda vejo Bolívar a correr como um menino dando bagornaços nas bolas, mandando-as para alem da linha média!
Se eu fosse um dirigente com poder no Beira-Rio, criaria já uma galeria cultural para guardar nossas riquezas imateriais. Nessa galeria, estaria o Bolívar, mesmo que a gente precise espera um pouco para inaugurar pois sua aposentadoria não será tão cedo. A mesma gloria que nos deram Falcão com seus tres títulos do Brasileiro, Klemer, Indio e Fernandão, com Yokohama, Bolivar é nosso General, Capitão e leão de chácara da grande área, e a ele toda a honra e toda a glória rendida apenas aos grandes CAMPÈÕES.
Nosso grande personagem, que tantas alegrias nos deu, pode estar sendo vencido pelo tempo, mas, não está sendo derrotado. Ele simplesmente vai cumprir o ciclo natural das pessoas que passam. Mesmo assim, ele será diferente. Ele ficará na história do Internacional e daqui a cem anos, quando surgir um jovem lutador, forte, habilidoso, educado e de grande talento jogando ali perto da grande área algum locutor, ou mesmo algum torcedor, vai dizer: “igual o General Capitão Bolivar”
E as crianças coloradas vão sentir orgulho de ouvir de seus avós que um dia, eles viram o Capitão Bolívar limpar a área, impor respeito, mandar o perigo para longe e levantar tantas taças que não as pudemos contar!
Ou como dizia Gonçalves Dias em I-Juca Pirama,
“Pois não, era um bravo; Valente e brioso, como ele, não vi! E à fé que vos digo: Parece-me encanto... ... Meninos, eu vi”
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